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Editorial: Pesquisas em xeque

Todos os anos em que há eleição ressurge a polêmica sobre as pesquisas eleitorais. Afinal, as pesquisas mais ajudam ou mais prejudicam à democracia e ao processo de escolha dos candidatos? Não é raro e tem ocorrido em vários lugares do mundo, um fenômeno que chama a atenção da imprensa, da academia, dos partidos e do próprio eleitorado: as diferenças significativas entre os números publicados pelos institutos de pesquisa e os resultados eleitorais.

No Ceará, um exemplo merece destaque. Trata-se da eleição de 2018 para o Senado. Com duas vagas em disputa, o ex-governador Cid Gomes liderou todas as pesquisas desde o início, mas a segunda vaga, segundo essas mesmas pesquisas, seria do candidato à reeleição e presidente do Senado Eunício Oliveira, mas não foi o que aconteceu. Estranhamente os resultados das pesquisas, inclusive da última, e da apuração foram absurdamente diferentes.

Na pesquisa IBOPE, divulgada no dia 06 de outubro de 2018, véspera da eleição, os resultados projetados em votos válidos foram os seguintes: Cid Gomes (PDT) 44%, Eunício Oliveira (MDB) 25%, Eduardo Girão (PROS) 10%, Dra Mayra (PSDB) 7%. Os demais candidatos pontuaram com menos de 3% no levantamento. A pesquisa foi registrada no TSE com o número CE-03221/2018 e contratada pela TV Verdes Mares, ouvindo 1.204 eleitores em 60 municípios, entre os dias 4 e 6 de outubro de 2018, com margem de erro de três pontos percentuais e intervalo de confiança de 95%.

Finalizada a apuração dos votos, Cid Gomes (PDT) de fato venceu em primeiro lugar com 41,62% dos votos, mas veio em seguida uma grande surpresa: Eduardo Girão (PROS) obteve 17,09% dos votos, Eunício Oliveira (MDB) 16,93% e Dra. Mayra (PSDB) 11,37%. Destaque também para o Pastor Pedro Ribeiro (PSL), que atingiu 4,31% dos votos e para Anna Karina (PSOL) que chegou a 4,09% dos votos. Os demais candidatos tiveram resultado abaixo de 3% dos votos.

Eduardo Girão, Eunício Oliveira e Dra. Mayra tiveram resultados na urna “fora da margem de erro”, sendo que a diferença apontada pela pesquisa entre Eunício e Girão era de 15% e que ao final Girão venceu por 0,16%, com uma diferença de 11.993 votos. Teria havido um movimento brusco do eleitorado às vésperas da eleição? Outra informação destoante foi que o número de eleitores que votariam branco/nulo ou não sabiam/não responderam somaram na última pesquisa IBOPE de 2018 para o senado no Ceará um total de 21%, enquanto nas urnas apenas 13,9% não compareceram ou votaram branco/nulo. Teria acontecido então uma onda repentina de adesão à participação na eleição?

Fenômenos complexos como estes, via de regra, não possuem um única explicação. Mas de concreto fica uma lição para quem acompanha eleições no Ceará: o eleitorado se guia cada vez menos pelos resultados das pesquisas e vota a cada dia com mais convicção nos representantes em que deseja votar. E que assim seja cada vez mais, pelo bem da liberdade e da democracia.

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