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Pesquisa mostra situação crítica dos restaurantes

Medidas restritivas: apenas 32% do setor consegue se manter funcionando com o lockdown
De acordo com pesquisa da Abrasel, prorrogação das medidas resultará no fechamento de até 71,4% das empresas

As restrições impostas até o próximo domingo (21) trouxeram um impacto enorme na viabilidade do segmento de bares, restaurantes e similares, indicando que 45,1% dos empresários não conseguem manter suas casas em funcionamento; 16,9% já fecharam ou já decidiram que irão fechar; 5,6% não possuem condições sequer de arcar com os custos do fechamento; e apenas 32,4% estão conseguindo se manter em funcionamento. Os resultados foram apontados pela pesquisa realizada pela Abrasel no Ceará nos dias 15 e 16 de março, ouvindo 213 empresários do setor.

Em relação ao faturamento, 77,9% dos entrevistados têm zero retorno financeiro no turno da manhã, por não atuarem nesse horário (até 11 horas). No turno do almoço, 73,7% dos estabelecimentos possuem movimentação de vendas, ainda que 69,9 destes não representam mais que 30% de seu faturamento ao longo do dia. O turno do happy hour, jantar e noite (a partir das 16 horas) concentra a maior oferta do segmento, com 85% do setor em plena atividade, e 67,1% dos bares e restaurantes faturando entre 50% e 100% de todas suas receitas.

“Já sabíamos que grande parte do setor tem maior retorno financeiro no horário a partir das 16h, mas agora a pesquisa confirma nossa tese de que é extremamente importante que o setor funcione neste turno, seguindo todos os protocolos sanitários, incluindo o Selo Lazer Seguro criado pelo governo do estado, para a sobrevivência das empresas”, comenta Taiene Righetto, presidente da Abrasel no Ceará.

Prorrogar medidas resultará no fechamento de até 71,4%
De acordo com a pesquisa, se medidas restritivas forem impostas até o próximo dia 01 de abril de 2021, resultará no fechamento de até 71,4% das empresas que responderam ao questionário.
As contas a pagar também revelam o expressivo grau de endividamento dos bares, restaurantes e similares onde:

  • 76,1% das empresas já não possuem mais recursos para pagamento dos funcionários;
  • 76% não dispõem de recursos para pagamento das contas de energia elétrica;
  • 61% não conseguirão pagar as contas de água, ou já possuem débitos;
  • 78,4% não conseguem honrar o aluguel, ou já estão em dívida;
  • 65,7% estão em atraso ou não mais pagarão os seus fornecedores, com agravante que destes 25,4% já estão impossibilitados de realizarem novas compras.

Em relação ao pagamento de tributos, 84% estão sem condições de realizar o pagamento dos tributos federais, 77,5% os tributos estaduais e 70% os tributos municipais.

Sobre dívidas bancárias, 66,2% já se encontram sem capacidade de pagamento e 20,2% já estão sendo executados pelas instituições financeiras.

Demissões
A pesquisa revela que 87,8% dos bares, restaurantes e similares já tiveram que demitir. Desse total 72,90% dos entrevistados já demitiram até 50% de seus colaboradores.

Os dados ainda apontam que 84,5% das empresas irão realizar novas demissões, sendo que 63,3% dessas empresas precisarão demitir até 30% de todos seus funcionários atuais, enquanto os outros 36,7% devem demitir mais de 50% dos seus colaboradores.

“Fica registrada nossa contribuição com dados sobre o panorama atual dos mais de 20 mil bares, restaurantes, similares e microempreendedores individuais que empregavam cerca de 120 mil pessoas antes da pandemia, e que movimentam desde o agricultor familiar até as indústrias de alimentação e bebidas no Estado do Ceará, com intuito de gerar informação de qualidade na demonstração evidente do quadro caótico e na necessidade urgente de medidas para a retomada pela sobrevivência e reparação do setor de alimentação fora do lar”, complementa Righetto.

Cá pra nós: situação se agrava a cada dia.

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