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CPI do covid: Denúncia, fakenews? Onde está a responsabilidade de Bolsonaro?

O contrato do governo brasileiro para comprar a vacina Covaxin levantou dúvidas por causa da narrativa traçada pelo servidor do Ministério da Saúde Luis Ricardo Miranda,  e principalmente pelo depoimento recheado de cunho político de seu irmão e deputado Luis Miranda, que é mais um que a presidência da CPI permite transformar aquela bancada em palco eleitoral,  diga-se deprimente.

Vamos aos fatos que os depoentes trouxeram: no dia 20 de março deste ano estiveram com o presidente Bolsonaro para denunciar um suposto esquema na compra da vacina Covaxin cujo fabricante é o laboratório Bharat Biotech, da Índia, tendo como representante legal para pagamento a empresa Madison Biotech pertencente ao grupo indiano desde 2020, conforme nota oficial do laboratório indiano (o servidor apontou como fato suspeito).

Segundo a dupla, apresentaram ao presidente uma nota fiscal com várias discrepância em relação ao contrato e que ali poderia haver algum indício de malversação. Ressalte-se que o servidor que tratava da documentação de importação da vacina era responsável por detectar tais falhas e comunicar para correções. Como o setor de contratos do Ministério da Saúde também recebia uma cópia da nota fiscal, dito pelo funcionário em depoimento, no dia seguinte foi solicitado a correção. Então, foi emitida uma segunda nota fiscal onde alguns itens foram corrigidos, mas, outros permaneceram em desacordo com o contrato, houve novo contato para retificação,  o que foi atendido com o lançamento da terceira nota, que saneou o processo, já no dia 23.

Veja bem, todos esses passos são normais dentro de um processo. Nenhum item que afrontasse o contrato seria passível de ser aceito.

O servidor, conforme ele próprio admitiu sabia das correções, entretanto, quando realizou a denúncia pública juntamente com seu irmão deputado federal meses depois, omite essas informações fundamentais, levando a público somente a primeira nota fiscal, onde existia itens que prévia pagamento antecipado e outras discrepâncias.

Outra falsa informação prestada pela imprensa, pois tinha como base a primeira nota é que a compra da vacina,  saia a unidade por 1.000% a mais a dose, quando na realidade,  já corrigida na terceira nota, saiu por 15 dólares. O laboratório vendia em média de 15 a 20 dólares,  ou seja, preço do mercado.

Relativo a empresa Precisa, surge nova fakenews, pois setores da imprensa logo levantaram dúvidas acerca da sua participação, esquecendo que a Anvisa normatiza a presença de um representante no país. Como no caso da AstraZeneca cujo representante é a Fiocruz,  da Sputnik que tem como representante no Brasil a União Química. É assim com todas as vacinas estrangeiras.

Outro ponto que foi atacado pela oposição teve como alvo a suposta atitude de Bolsonaro, que ao receber a notícia do servidor e de seu irmão deputado “teria prevaricado”, ou seja, teria ficado inerte, nada fazendo.

Analisemos esse fato. O presidente recebe a informação da primeira nota, era o que tinha até então, pede a Pazuello para levantar informações preliminares. Infere-se que Pazuello entra com a fiscal do contrato, tudo indica dia seguinte, e soube que já tinha sido buscado sua correção. O passo seguinte deve ter sido a comunicação ao presidente do que havia ocorrido. Cabia o presidente fazer mais o quê?

Por fim, a empresa Precisa pelo que se sabe é a representante aqui do laboratório Bharat Biotech, como exigido pela Anvisa, e a empresa Madison Biotech pertencente ao grupo indiano é a indicada e responsável legal pelo recebimento de qualquer pagamento relativo ao contrato.

A questão que precisa também ser investigada, sim investigada, é porque na denúncia a imprensa, mesmo tendo conhecimento,  como dito nos depoimentos dos irmãos na última sexta-feira, 25, omitiram que a primeira nota havia sido plenamente retificada com os termos ‘in totum” do contrato, o que gerou um fato político de graves proporções atingindo o governo federal, dando a oposição um prato cheio para mais construção de narrativa,  dessa vez trazendo Bolsonaro, pois até então não tinham conseguido, mesmo com a parcialidade nunca vista em uma CPI no Senado Federal.

Outros pontos precisam ser esclarecidos: o servidor teria dito em reportagem ao G1 publicada em 24 de julho que recusou assinar um recibo, o que teria evitado o pagamento. Como assim? Que recibo é esse? O servidor denunciante tem essa função legal de assinar recibos? Veja bem quinta-feira passada, silenciando na reportagem acerca das correções que tinha pleno conhecimento. Ele admitiu em seu depoimento na CPI.

https://g1.globo.com/politica/noticia/2021/06/24/compra-da-covaxin-quais-sao-as-denuncias-e-como-o-governo-se-defende.ghtml

O servidor fala de pressões “atipicas”. Que pressões foram essas? Solicitar reiteradamente agilidade no processo de compra de vacinas para combater a Covid-19? Houve pressões ilegítimas? Ilegais? Quais?

É preciso cautela dos brasileiros diante dessa denúncia que dirige fatos mostrando apenas uma parte, e ao nosso ver levando a imprensa, salvo fatos posteriores surjam, a um grandioso fakenews.

Já a oposição faz o que sempre fez, navega na construção de mais uma narrativa, buscando fazer do servidor um herói. Será? Aguardemos!

César Wagner Maia Martins – Delegado aposentado, Ex-superintendente da Polícia Civil do Ceará, radialista e palestrante.

2 Comentários

  1. Antônio Pascasio Círico

    Falo como Brasileiro preocupado com o ódio que se instalou nesta nação de um povo sofrido…

    Bolsonaro perdeu uma grande oportunidade de fazer o melhor governo da história.
    Infelizmente começou com seus filhos interferindo nos ministérios, chegando ao ponto em dizer que faltava um cabo e um soldado para fechar o STF.
    Em seguida foi no Israel juntamente com Trump apoiando a mudança da embaixada de Tel-Avid para Jerusalém causando discórdia dos mulçumanos que deixaram de comprar nossos produtos da sadia e perdigao causando centenas de desempregos.
    Ele fala muitas besteiras!
    Ainda existe tempo para mudar de postura, pautar assuntos relevantes, esquecendo as ideologias.
    Ele foi eleito legítimamente pelas grande maioria.
    Cabe a ele mudar de postura, tratar bem a imprensa e os adversários.
    Tem que acabar com este ódio nunca visto nos meus quase 70 anos vividos.

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