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Crise ética, moral e impunidade

                                     Irapuan Diniz de Aguiar

                                             Advogado

A exacerbação da violência e do crime e medo deles resultantes tem infernizado a vida de uma população indefesa e insegura. Quando não são os assaltos, os sequestros, os estupros, os latrocínios, os delitos no trânsito e outras manifestações criminosas, são os desfalques, os rombos, os estelionatos, as fraudes, os desvios de recursos públicos e outras formas de corrupção. Estamos mergulhados numa sucessão de crises e escândalos, todos chocantes e surpreendentes, diante de ações governamentais, nas três esferas de poder, muitas quais se revelam contrárias ao sistemático combate inaugurado com a operação ‘lava-jato’ que, infelizmente, resta quase desativada.

Para fazer frente a esta catástrofe moral e ética lamentavelmente disseminada em todas as áreas impõe-se o engajamento da sociedade no processo por meio de manifestações públicas, o que já vem ocorrendo. Como consequência da impunidade reinante, o questionamento que se ouve é sobre qual será a crise do dia seguinte ou o escândalo mais novo. Nesse emaranhado de delitos de toda espécie, há um fato novo que merece registro. São os personagens neles envolvidos. Não são mais, apenas, os rudes e os miseráveis os seus autores. Têm-se, agora, a presença dos “engravatados”, intelectuais do crime, homens que envergam a bata e a batina, a toga e a farda, o diploma e o mandato. Aparecem nos noticiários como se nada tivessem feito. Queixam-se do incômodo da imprensa e ditam suas eventuais penas ou a maneira como desejam enfrentar a Justiça, depois de se verem flagrados com todas as provas dos cometimentos delituosos. São arrogantes e presunçosos porque estão ciosos da impunidade.

De par com essa violência mais visível, porquanto amplamente divulgada nas mídias outra também vem sendo praticada como decorrência da impunidade, que é o contorcionismo político na produção ou interpretação das leis por parte dos legisladores e governantes. Neste aspecto, tais posturas assumem conotações graves pela pedagogia danosa oferecida aos governados. Isto não pode continuar. Está na hora de se organizar um mutirão nacional pela legalidade, pela moralidade e pela ética; de um saneamento geral, que somente a união de todos será capaz de empreender com a eficiência que o mal está a exigir no seu combate. A dor extrema é sinal de que a cirurgia é inadiável para promover a cura desta enfermidade que aflige a sociedade. A nação assiste, nos dias presentes, nauseada, uma CPI instaurada para apurar supostas omissões e irregularidades nas ações do governo durante a pandemia da COVID 19 no país e o que se constata é sua transformação num “palco político” antecipando a campanha eleitoral de 2022, desviando-se de sua verdadeira finalidade e expondo o perfil dos que a conduzem. Uma vergonha!

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