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Caucaia, alvo do crime, pede socorro

Segunda cidade mais populosa do Ceará, com 365 mil habitantes, Caucaia vem atraindo atenção do país no quesito segurança pública. Conforme o Anuário Brasileiro da Segurança Pública, o município conviveu com o maior índice de mortes violentas do país em 2020, e vive uma guerra de facções que transformou ruas em corredores sem vida e fez com que dezenas de famílias buscassem refúgio diante da disputa sangrenta do tráfico de drogas.

Ao todo, 360 pessoas foram assassinadas na cidade em 2020, uma taxa de 98,6 mortes violentas para cada 100 mil moradores (quatro vezes o índice nacional de 23,6 por 100 mil). Caucaia ultrapassa, também, a taxa de qualquer país do mundo —em 2018, ano com dados mais recentes, Honduras registrava taxa de 55 por 100 mil e era o mais violento.

A cidade hoje é rota (próximo Porto do Pecém) e bases do tráfico (extensão e população). O Prefeito Vitor Valim recentemente visitou um conjunto habitacional onde 50 famílias foram expulsas por ordem do crime, anunciando revigoração da iluminação pública e uma base permanente mista com guardas municipais e forças estaduais.

É o início de um longo caminho para retomar o controle. Se o crime ali fincou raízes é porque encontrou terreno fértil. Poldar não resolverá absolutamente nada, pelo contrário, fortalecerá as raízes.

Somente um trabalho de fôlego, de curto, como o já anunciado, de médio e longo prazo poderão trazer resultados consistentes.

Urgente, a presença estatal em todos os seus níveis agindo harmoniosamente, conjugando esforços no binômio segurança-social. Polícia isoladamente jamais reverterá por completo o quadro, quando muito, trará um alívio para a comunidade com sua presença.

No quesito repressão, investigação e inteligência, o combate passa obrigatoriamente por um novo modelo organizacional e operacional para as delegacias do município, a chegada para o apoio do centro de inteligência federal que foi, há algum tempo, inaugurado no Estado e o combate aos possiveis desvios comportamentais internos.

O crime só sairá vencedor onde existir omissão, conivência ou incompetência.

César Wagner Maia Martins, delegado, Ex-superintendente da Polícia Civil do Ceará, palestrante e radialista.

3 Comentários

  1. Paulo Guerra

    Assunto relevante e prioritário. Se aceitar imposições de facçoes diante do cumprimento da lei, não haverá mais soluçao…

  2. Franklin Wilson

    Se fizermos uma analogia de décadas anteriores na nossa sociedade, nos fica evidenciado que o combate a violência vem se tornando apenas um paliativo. Recurso favorável para ervas daninhas se proliferarem. Mesmo não sendo eu um estudioso sobre o tema, me arrisco a dizer que, a maioria dos investimentos voltados para a segurança, não são o suticientes, basta observarmos a realidade dos armamentos que a bandidagem e às que são repassadas para os nossos agentes policiais. É uma guerra desleal! Ou encaramos como sine qua non, a compra de armamentos de última geração para os nossos agentes de combatentes da segurança pública ou iremos apenas continuar trocando seis, por meia dúzia. Lamentável essa realidade do nosso país.

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