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Denúncia: Portadores de câncer estão sendo prejudicados em tratamento no Ceará

Pacientes de câncer no Ceará estão sendo submetidos a verdadeira “via crusis” para iniciar e prosseguir com tratamento.

Uma regulamentação foi Instituída obrigando o paciente a ingressar no sistema através do posto de saúde. No interior a situação do doente é de total desesperança.

Antes, hospitais filantrópicos ( Instituto do Câncer do Ceará,  Santa Casa, São Camilo) faziam as consultas, realizavam exames para diagnóstico e iniciavam o tratamento, fosse esse cirúrgico, quimioterápico ou radioterápico.

Hoje, se o paciente tem uma lesão suspeita, consegue a biópsia na triagem. A questão é que, se for maligno, o paciente vai precisar voltar no posto para ser encaminhado para o tratamento. Antes ia direto.

Quanto ao paciente do interior, é pior. Muitas das secretarias de saúde não tem capacidade para o atendimento primário.

Além disso, depois que o paciente entra no hospital, tudo que ele vai fazer precisa ser regulado. Se fez cirurgia, não pode ser encaminhado para quimioterapia direto. Tem que voltar para regulação. Isso está fazendo os pacientes atrasarem tratamentos imprescindíveis para lutarem pelas suas vidas.

E se o paciente está em determinado serviço, não pode ser encaminhado direto para outro. Por exemplo, uma paciente portadora de câncer de mama, que apresentasse uma lesão de pele suspeita, deveria ser encaminhada para o serviço do TOC, que é onde faz essas biópsias. Porém,  devido a regulação não é possível. A paciente necessita retornar para o posto de saúde,  para reiniciar todo o processo, desta feita para a lesão de pele.

O smp.news recebeu uma denúncia acerca de uma paciente que estava com um tumor de 5,0cm. A primeira conduta era quimioterapia, para em seguida ser submetida a cirurgia. Houve uma tentativa para enviar para qualquer serviço de quimioterapia: ICC, São Camilo, Santa Casa. Entretanto, devido a regulação a paciente teve que voltar ao seu município em busca da quimioterapia.

O tempo é algo crucial para os pacientes com câncer, e deles estão subtraindo períodos que muitas vezes não podem ser recuperados, condenando-os à morte.

Outro grande problema é a falta de exames de imagem para o estadiamento (orienta o tratamento).

A origem da grave problemática iniciou pela Secretaria Municipal de Fortaleza (SMS), tendo em vista que antes não era possível separar os pacientes de Fortaleza, daqueles que se deslocam do interior, ficando com a prefeitura da Capital o repasse para pagar os custos.

Na realidade, a gestão plena tem que ser repensada em relação ao nível terciário, a fim de não prejudicar pacientes, prestadores e gestores.

Relativo aos pacientes com câncer de mama, a SESA, em junho desse ano, fez um comunicado que elas serão atendidas primordialmente pelos hospitais do estado (HGF< HGCC). Somente aqueles que o Estado não conseguir atender que serão encaminhados aos filantrópicos..

Segundo informes, a fila para os hospitais do Estado já estaria com 100 pacientes.

CÁ PRA NÓS: A Secretaria de Saúde do município de Fortaleza vem destruindo a parte do SUS que funciona. No caso em questão o atendimento oncológico que é prestado no Estado em sua grande maioria por serviços filantrópicos, como o ICC, Santa Casa e outros.

Essa medida vai dificultar enormemente o atendimento às pacientes com câncer de mama, que hoje têm vários serviços a sua disposição e por isso conseguem facilmente ter a lei dos 60 dias entre diagnóstico e início do tratamento cumprida. Elas terão agora apenas 3 serviços para serem atendidas inicialmente: César Cals, HGF e Maternidade Escola.

A Prefeitura já vem dificultando o acesso das pacientes desde a administração de Roberto Cláudio.  Agora, com Sarto, aperfeiçoou mais ainda a burocracia e vai prejudicar milhares de mulheres com câncer de mama.

Vão dizer que tudo correrá às mil maravilhas e as pacientes não terão prejuízo. Mas o povo que usa hospitais públicos sabe bem o que irá acontecer. 

Ministério Público, Defensoria de Saúde Pública, Associações de pacientes com CA de Mama, Entidades Médicas e Imprensa, a tragédia iminente é anunciada.

Fica a pergunta: quem ganha o quê com isso ? Certamente não serão as pacientes !

Use nossa ouvidoria para denunciar, através do zap 85 99926.59.58 ou diretamente para as promotorias de Defesa da Saúde Pública, localizadas na Rua Lourenço Feitosa, nº 90, bairro José Bonifácio, em Fortaleza.

Fone: (85) 3452-3718. 

E-mail: secretariapsp@mpce.mp.br

1ª Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde Pública: Dra. Ana Cláudia Uchoa

2ª Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde Pública: Dra. Lucy Antoneli Domingos Araújo Gabriel da Rocha

No interior e área metropolitana, procure o promotor de Justiça ou a Defensoria Pública.

2 Comentários

  1. Neiva Gomes Alves

    Essa decisão da secretaria de saúde de Fortaleza, só vai aumentar a quantidade de óbitos dos pacientes com câncer. Realmente é uma sentença de Morte.
    Eu faço tratamento de CA de mama há 4 anos no ICC, se não fosse a excelência na qualidade do serviço, eu não estaria curada.

  2. Humberto

    A mesma coisa vêm acontecendo com os pacientes Renais Crônicos em Hemodialise que precisam ser listados para transplante – antes a própria clínica podia encaminhar para a primeira consulta e hoje tanto pelo município como pelo Estado o paciente precisa voltar ao posto de saúde para ser encaminhado para os serviços de Transplante atrasando ainda mais o processo.

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