Menu fechado

Chefe da academia sueca rejeita cotas para o Prêmio Nobel

Queremos que cada laureado seja aceito por ter feito a mais importante descoberta e não por causa de gênero ou etnicidade”, diz secretário da Academia de Ciências da Suécia. Só 59 mulheres receberam o Nobel desde 1901.

O secretário-geral da Academia Real de Ciências da Suécia, Göran Hansson, descartou a ideia de criar cotas para o Prêmio Nobel, em declarações nesta segunda-feira (11/10) à agência de notícias AFP.

“Queremos que cada laureado seja aceito por ter feito a mais importante descoberta e não por causa de gênero ou etnicidade”, diz secretário da Academia de Ciências da Suécia. Só 59 mulheres receberam o Nobel desde 1901.

Hansson reconheceu que há poucas mulheres entre os premiados, mas disse que os prêmios devem ir para quem a academia considerar mais merecedor da distinção.

“Decidimos que não teremos cotas para gênero ou etnicidade. Queremos que cada laureado seja aceito por ter feito a mais importante descoberta e não por causa de gênero ou etnicidade. E isso está em linha com o espírito do testamento de Alfred Nobel”, declarou Hansson.

“Discutimos essa questão. Mas aí, tememos, vão dizer que os laureados ganharam o prêmio por serem mulheres e não porque são os melhores. Hoje não há dúvidas de que cientistas como Emmanuelle Charpentier e Esther Duflo ganharam o prêmio porque deram as contribuições mais importantes.”

Hansson ainda argumentou que as mulheres são apenas 10% dos professores em ciências naturais na Europa Ocidental e na América do Norte e que avaliações para o Prêmio Nobel levam tempo.

Ele afirmou, porém, que a Academia Real de Ciências da Suécia quer ter certeza de que “todas as mulheres que merecem [receber o Nobel] tenham uma chance de serem consideradas para o Prêmio Nobel”.

A jornalista Maria Ressa foi uma das duas pessoas laureadas com o Prêmio Nobel da Paz de 2021

Hansson declarou que a instituição tem feito “esforços significativos” para encorajar nomeações de cientistas mulheres e que também tem debatido internamente, com sociólogos, questões como discriminação subconsciente.

“No fim, vamos dar o prêmio para aqueles quem considerarmos os mais merecedores, aqueles que fizeram as contribuições mais significativas”, declarou.

Desde a criação do Nobel, em 1901, as mulheres receberam apenas 6,2% dos prêmios concedidos, num total de 59. Este ano, apenas uma mulher recebeu o prêmio: a jornalista filipina Maria Ressa foi agraciada com o Prêmio Nobel da Paz, que é concedido pelo Comitê norueguês do Nobel.

A Academia Real de Ciências da Suécia escolhe os vencedores nas categorias de química, física e economia. O Prêmio Nobel de Literatura é concedido pela Academia Sueca, e o Instituto Karolinksa faz a escolha do prêmio de medicina.

DW.com

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.