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Anjos de luz ou emissário de Satanás?

Na semana que passou a mídia deu ampla divulgação à manifestação pública de um bispo católico, que usou o púlpito do Santuário de Nossa Senhora Aparecida, para fazer uma provocação ao presidente da República, presente à solenidade religiosa em louvor da Padroeira do Brasil. Desvestiu-se o prelado de sua condição sacerdotal, para postar-se de forma açodada e deselegante na condição de paladino das vozes que clamam contra os procedimentos do governo Bolsonaro, legitimado pelo voto popular, eleito que foi democraticamente por mais de cinquenta e quatro milhões de brasileiros.

O bispo Orlando Brandes disparou trocadilho pouco inteligente em tom irônico: “Uma pátria amada não pode ser uma pátria armada.” Expressou o pensamento da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que melhor seria denominada se em lugar de Conferência se colocasse o vocábulo “Sindicato”, posto que aquela assembléia de bispos há muito mistura o trabalho eclesial com desbragada militância político-ideológica determinada por parâmetros teológicos firmados na Teologia da Libertação, já declarada herética pela Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, ao tempo em que o prefeito era o Cardeal Joseph Ratzinger, depois Papa Bento XVI, um dos mais importantes teólogos da Igreja em todos os tempos. O documento teve a chancela de ninguém menos do que São João Paulo II.

Todavia, não nos causa espécie essa declaração descabida do bispo militante. Documentos pontifícios emitidos desde os tempos em que a doutrina Modernista invadiu os seminários e templos católicos, sendo  denunciada e condenada duramente pelo Papa São Pio X; e, posteriormente, por admoestações firmes do Papa Pio XI diante das investidas dos marxistas na seara de Cristo, demonstram que a verdadeira Igreja de Cristo, contra a qual as portas do Inferno não prevalecerão, jamais se encantará por doutrinas esdrúxulas ou teologias marginais como a da Libertação, “um pára-quedas de chumbo oferecido aos pobres”, como bem definiu escritor católico. Seguindo uma  ilusão farisaica e arrimados em sofismas anticatólicos, mas que aparentam alinhados com os valores cristãos, esses prelados e teólogos não passam de agentes que o demônio sorrateiramente colocou no centro da Igreja de Cristo, como a reviver os tempos paulinos em que a Igreja de Corinto desandou de forma escandalosa, sob lideranças que posavam de santarrões, levando a que o apóstolo dos gentios repreendesse duramente os coríntios e afirmasse que o próprio Satanás muitas vezes se apresenta como anjo de luz (I Coríntios, 11.14).

O disfarce, a mentira, a hipocrisia e, sobretudo, o uso do Evangelho para fins outros que não a causa de Cristo, têm lugar permanente na pregação dessa gente, que confunde a Igreja com qualquer associação beneficente ou sindicato.

No caso específico do desarmamento da população, ação determinada com interesses imorais e escusos por  quem, contraditoriamente, prega o uso da violência para a tomada do poder, ver alguns altos dignitários da Igreja embarcarem nessa canoa furada, só causa dó e comiseração. A postura não se equilibra na justiça, porque os bandidos e terroristas da esquerda continuam armados; não tem sustentação bíblica, porque o próprio Cristo, Príncipe da Paz, ao ver os vendilhões do templo de Jerusalém, que agiam iguais a esse bispo de Aparecida, armou-se de um azorrague e meteu a peia naqueles que vilipendiavam o púlpito sagrado.

O apóstolo Pedro, primeiro Papa segundo a tradição católica, andava armado e no momento da prisão de Jesus sapecou a espada na cabeça do servo do Sumo Sacerdote chamado Malco, cortando-lhe a orelha. (João, 18.10). É certo que Cristo o recriminou. Todavia, a constatação inequívoca é que o homem a quem Cristo entregou os destinos da Igreja andava armado. Não foi outro senão Cristo que pouco antes de ser preso, ao orientar os discípulos para o que haveria de vir, aconselhou-os: “Agora, porém, quem tem bolsa tome-a, como também o alforje; E O QUE NÃO TEM ESPADA, VENDA A SUA CAPA E COMPRE UMA.”(Lucas, 22.36). Fora o que dizem os sagrados Evangelhos, tudo não passa de conversa fiada de bispo comunista.

Barros Alves, jornalista

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