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Porque sou conservadora

Dra. Silvana, deputada estadual – Ce

Com convicção quero reafirmar neste artigo a minha condição de ser uma mulher conservadora. Com um detalhe que para mim tem relevância extrema. Sou conservadora dos valores ocidentais e cristãos. O conservadorismo tem várias faces em diferentes lugares e culturas. Portanto, o conservadorismo no qual fui formada é aquele que objetiva preservar valores assentado em bases da doutrina cristã, evangélica, mas que nos aspectos da moral política defende os ideais das liberdades públicas, base da democracia, em que assomam o respeito aos direitos individuais sem olvidar os direitos da coletividade. Estes, porém, não podem ser ditados pelo Estado em detrimento das individualidades, porque descambam normalmente para o totalitarismo, como tem ocorrido ao longo da história política dos povos.

Importante observar o que está assentado na compreensão conceitual do é o conservadorismo como segmento do pensamento humano. Vale dizer que o conservador tem como norte para os princípios que defende valores essenciais como a liberdade e a ordem, sobretudo quando se trata da defesa das liberdades política e econômica e da consolidação de uma ordem social e moral arrimada nesses princípios. Entende a pessoa conservadora – e eu assim o entendo – que há uma ordem moral duradoura e transcendente. No caso do conservadorismo que professamos no mundo ocidental, em especial no Brasil, cuja colonização está assentada historicamente na doutrina cristã e tem na religião a sua base, essa convicção de que a Transcendência está no comando das mudanças da sociedade, quaisquer que sejam, constitui um dado muito forte. Essa compreensão que está para além das ações simplesmente materiais protagonizada pela pessoa, valoriza a diversidade típica do individualismo e rejeita a igualdad como um objetivo da política. Neste pé, paradoxalmente, o conservador, assim como o libertário, entende que “a igualdade político-jurídica é suficiente para garantir a igualdade necessária entre as pessoas. Qualquer desigualdade material ou de resultado é consequência inevitável da diferenças naturais entre os indivíduos, de seus esforços e de suas decisões.” A liberdade é um dom, um prêmio que Deus deu ao ser humano e do qual ele não pode abdicar sob pena de ser considerado covarde ou ingrato.

As revoluções carregam intrinsecamente o germe da mudança permanente, da transitoriedade, da instabilidade, da insegurança. Ao contrário, o conservador tem como fundamento da ação cotidiana a preservar das instituições políticas e sociais que se desenvolveram ao longo do tempo e são fruto dos usos, costumes e tradições. Isto não significa imobilidade. Mas, prudência na condução dos negócios da sociedade, sejam políticos, sejam econômicos e, em especial, no respeitante aos costumes. É correto afirmar que o conservador defende a necessidade de mudanças e da busca pelo progresso da sociedade. Todavia, para mantê-la saudável essas mudanças devem ser presididas pela cautela e por iniciativas graduais implementadas com firmeza de propósitos. Nada de açodamentos, de desatinos, de agressões gratuitas ao status quo. Com acerto podemos afirmar, destarte, que “a política do conservador é a política da prudência, sempre preferindo manter e melhorar as instituições estáveis e testadas do que tentar rupturas para implantar modelos de sociedade e instituições advindas da razão humana. Essa postura coloca o pensamento conservador em conflito com ideologias essencialmente reformistas, que almejam criar uma sociedade “perfeita” pelo uso da política. Para o conservador, a política é a “arte do possível” e não um meio para se chegar a uma sociedade utópica. Por isso, o conservador nos dias atuais, em maior grau, insurge-se contra as doutrinas que se arrimam no marxismo, utopia que só conseguiu chegar ao nível da miséria física e moral das sociedades onde foi experimentada, posto que não passa de uma “doutrina intrinsecamente má”, consoante palavras do Papa Pio XI.

Por final, vale lembrar o que disse o respeitável teórico político norte-americano Russel Kirk, que serve como admoestação: “O conservador pensa na política como um meio de preservar a ordem, a justiça e a liberdade. O ideólogo, pelo contrário, pensa na política como um instrumento revolucionário para transformar a sociedade e até mesmo transformar a natureza humana. Na sua marcha em direção à Utopia, o ideólogo é impiedoso.”

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