Menu fechado

Memorial da Sagrada Semana

Barros Alves, jornalista e poeta

Atravessamos tempos bicudos nos dias hodiernos, em face da indiferença  religiosa, guerra cultural e até mesmo explícita perseguição aos cristãos aqui e alhures. E como se não bastasse tudo isso, a “fumaça e Satanás” de que falou o Sumo Pontífice Paulo VI logo depois do encerramento do Concílio Vaticano II, invadiu vários compartimentos da Igreja Católica e de outras denominações cristãs. Falas de prelados católicos, manifestações episcopais e cardinalícias, se chocam flagrantemente com a essência do Evangelho de Jesus Cristo. Ainda que aparentemente consentâneas com a pregação do Messias, não passam de engodos fundados em hermenêutica assentada em categorias de análises que nada têm de cristãs. E assim vamos aprofundando uma crise em que muitos mergulham, por ingenuidade ou por desconhecimento dos valores evangélicos, os quais lhes falecem exatamente por que lhes foi negado durante a formação religiosa. Por desleixo ou má fé mesmo, não lhes foi oferecida uma boa catequese arrimada nos ensinamentos tradicionais da Santa Madre Igreja. O que nos dá esperança e consola é tão somente o mandamento profético de que as portas do inferno não prevalecerão contra a Casa de Deus.

Lembro-me que há algum tempo, na minha adolescência, ainda se venerava símbolos e dias consagrados na Semana Santa. A partir da quarta-feira guardava-se a sacralidade desses dias com penitência, jejum e caridade. Os rituais eram indispensáveis à consciência da piedade que se deve à Igreja, em memória dos últimos dias do Senhor Jesus sobre a terra. A Via Sacra era rezada a partir da segunda à quinta-feira, como um exercício de peregrinação e oração, a relembrar os passos dados na via dolorosa que levou o Cristo ao Calvário para ser imolado como oferta de Amor em favor da salvação de todo aquele que crê, e que a partir desse sacrifício recebe, por intermédio do sangue do Cordeiro de Deus, o salvo conduto para a vida eterna.  Por agora, são tantos os descaminhos da sociedade, que tudo não passa de pálido reflexo da prática religiosa de antigamente, quer no templo, quer nos lares; estes quase abandonados ao neopaganismo.

Na quarta-feira, já disposto a ir a Jerusalém pela últim vez, consciente da sua missão salvífica e redentora, mediante o martírio, Jesus estando em Betânia, na casa de Simão, o leproso, protagonizou episódio significativo. Inesperadamente aparece uma mulher, que alguns dizem ser Maria Madalena, e unge o mestre com caríssimo ungüento perfumado feito à base de nardo, planta própria do Himalaia. De imediato surgem aqueles que não compreendiam a grandiosidade e transcendência da missão do Mestre, mas estavam jungidos à mediocridade da vida ao derredor, contaminada pela ambição, pela avareza e, sobretudo, pela hipocrisia, como foi o caso de Judas, o guardador da bolsa, que viria a ser o traidor. Imbuído do maligno espírito de “opção preferencial pelos pobres”, o miserável reclamou da atitude da mulher. O apóstolo João narra com clareza: “Então, um dos seus discípulos, Judas Iscariotes, filho de Simão, o que havia de traí-lo, disse: Por que não se vendeu este ungüento por trezentos dinheiros e não se deu aos pobres? Ora, ele disse isto, não pelo cuidado que tivesse dos pobres, mas porque era ladrão e tinha a bolsa, e tirava o que ali se lançava.” (João 12. 4-6).

Na narrativa de Marcos, o primeiro Evangelho a ser escrito, lemos a repreensão de Jesus ao discípulo desviado: “Jesus, porém, disse: Deixai-a, por que a molestais? Ela fez-me boa obra. Porque sempre tendes os pobres convosco, e podeis fazer-lhes bem, quando quiserdes; mas a mim nem sempre me tendes. Esta fez o que podia; antecipou-se a ungir o meu corpo para a sepultura. Em verdade vos digo que, em todas as partes do mundo onde este evangelho for pregado, também o que ela fez será contado para sua memória. (Marcos 14.6-9). Ora, Judas, o iscariotes, movido pelo rancor próprio dos espíritos frustrados, logo foi ter com os sumos sacerdotes para trair o Messias. Lembre-se que o apelido “iscariotes” surgiu da palavra latina “sicarius” (assassino), indicando que fazia parte do mais radical grupo judeu, os sicários, pois entre eles alguns eram terroristas, que advogavam a luta armada para expulsar o invasor romano das terras judaicas. Da mesma forma pensavam os zelotas, outro grupo político-religioso dos tempos de Jesus. Mas, isto não vem acaso neste texto.

O que de fato nos lembra as narrativas evangélicas sobre esta quarta-feira é que havia como que uma tensão, uma expectativa e uma previsão da proximidade da paixão de Jesus. No domingo, montado em jumentinho, como um rei de incompreensível majestade para olhares profanos, mas de realeza plena em consonância com as profecias, Jesus ao adentrar em Jerusalém, fora aclamado pela multidão que o seguia já há algum tempo. “Hosana nas alturas! Bendito o que vem em nome do Senhor!”, frase que pertencia à liturgia de Israel, mas naquele momento soava como saudação messiânica para o Filho de Deus. Lembre-se com Joseph Ratzinger (Bento XVI) que “a multidão, que na periferia da cidade, prestava homenagem a Jesus, não é a mesma que depois haveria de pedir a sua crucifixão.” (Cf. “Jesus de Nazaré – Da entrada em Jerusalém até a Ressurreição, págs. 20 e 21).

Marcos lembra na quarta-feira, que “Dali a dois dias era a Páscoa e a festa dos pães ázimos. Os sumos sacerdotes procuravam um modo de prender Jesus em segredo e matá-lo, pois diziam: – Não durante a festa pois pode haver tumulto entre o povo.” (14.1-2). Com efeito, a turbamulta que exigiu aos gritos a condenação de Jesus na sexta-feira, era de militantes pagos e instigados pelos sumos sacerdotes que queriam se ver livres do incômodo Jesus de Nazaré.

smp.news “SOMENTE A VERDADE INTERESSA” – Compartilhe, fortaleça a mídia independente.

Canal de Ouvidoria: 85 99761.0860 zap

Achou importante? seja nosso parceiro, Considere fazer uma doação, com qualquer valor, para manutenção e aprimoramento do blog e do programa SEM MEIAS MEIAS na rádio cidade 860 am seg-sex 11hs às 12hs. Independência é a arma de uma imprensa fiscalizadora, seu apoio é fundamental (PIX PARA DOAÇÃO: 85 99926.59.58)

1 Comentário

  1. Carlos Gomes da Silva

    Quem é do PT pode matar e roubar a vontade aqui no Ceará, Veja o caso ronivaldo. As facções do crime tomaram conta de tudo. Ciro entrega quem vocês quiserem até os chefes. Cgmidia

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.